Necropolítica, paternagem e meio ambiente em Death Stranding: atravessamentos narrativos críticos nas dinâmicas no game de Kojima
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.16110Palavras-chave:
Death Stranding, Necropolítica, Decolonialidade, Game Studies, PaternagemResumo
O artigo analisa o jogo Death Stranding como uma narrativa crítica às estruturas do projeto moderno/colonial, investigando de que modo suas dinâmicas tensionam lógicas de dominação, especialmente no que se refere à necropolítica, à divisão sexual do trabalho reprodutivo e à relação com o meio ambiente. O objetivo é compreender como o jogo constrói, em nível simbólico e interativo, alternativas à racionalidade predatória associada ao Ocidente. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter interpretativo, baseada no método autoetnográfico das narrativas de si e nos ciclos de codificação de dados de Saldaña. O corpus foi constituído a partir de excertos da experiência de jogo, analisados por meio de codificação descritiva e narrativa, seguidos de uma etapa eclética e de identificação de padrões. A análise organizou-se em três categorias: meio ambiente, necropolítica e paternagem. Os resultados indicam que o jogo subverte a centralidade da violência ao desestimular o assassinato, promove uma crítica à exploração ambiental por meio de um mundo em colapso e reposiciona o cuidado como elemento central da experiência, ao integrar trabalho produtivo e reprodutivo na figura do protagonista. Conclui-se que o jogo opera como uma alegoria crítica ao propor relações baseadas na conexão, no cuidado e na preservação da vida.
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