Saúde Única em Periferias: biopolítica, determinação social e campo de práxis
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.2019Palavras-chave:
Saúde Única em Periferias, Saúde Única, Saúde Coletiva, Epidemiologia Crítica, Determinação social da saúde, Iniquidades de Saúde, Biopolítica mais-que-humana, Estudos Críticos AnimaisResumo
Diante da urgência para resolver inúmeros e severos problemas de saúde, perguntar que é saúde e quem pode e deve tê-la pode parecer uma perda de tempo. Entretanto, algumas respostas revelam práticas prevalecentes que desviam a atenção de problemas fundamentais, mantendo assim privilégios e aprofundando iniquidades de saúde. A Saúde Única em Periferias surge desses questionamentos e assume sua forma em três dimensões interdependentes. A primeira refere-se a processos, estados, recursos e capacidades de coletivos multiespécie periféricos e do ambiente do qual fazem parte. A segunda problematiza dispositivos de marginalização que definem a saúde e quem pode e deve tê-la. A terceira abrange práticas em espaços sociais mais-que-humanos e estruturas simbólicas em que, e pelas que, a Saúde Única é vivenciada, entendida e transformada. A qualificação da saúde como “única” não se refere à falta de pluralidade nem à simples agregação de fragmentos de saúde (humana + animal + ambiental), mas à complexidade da saúde num campo com lugares periféricos, decorrentes de margens para privilegiar os que estão dentro e legitimar a exploração dos que estão fora. As margens simbólicas distribuem indivíduos em categorias de espécie, raça, etnia, gênero, classe social e capacidades entre outras, enquanto as margens geográficas são visíveis em diferentes tesselações territoriais. Os sinergismos e antagonismos entre margens criam graus de privilégio e vulnerabilidade que se materializam em perfis epidemiológicos. A determinação social da saúde que explica esses perfis epidemiológicos é um conceito chave no movimento da saúde coletiva. Porém, esse movimento omite a dimensão mais-que-humana da determinação social; isto é, a Saúde Única em Periferias é um ponto cego da saúde coletiva. A cartografia da Saúde Única em Periferias tem necessidades específicas em termos de participação, pesquisa e políticas inclusivas para promover decolonialmente estilos de vida saudáveis.
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