Quando o sofrimento vira indisciplina: ansiedade, depressão e gramática punitiva escolar
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17292Palavras-chave:
Saúde mental estudantil, Disciplina escolar, Estigma, Pertencimento escolar, Atenção psicossocialResumo
O artigo analisa como manifestações de sofrimento psíquico entre estudantes podem ser interpretadas pela escola como indisciplina, desinteresse ou insuficiência moral. Trata-se de pesquisa bibliográfica e teórico-conceitual, apoiada em dados epidemiológicos, estudos empíricos e documentos normativos nacionais e internacionais. O percurso analítico articula três movimentos: a delimitação do panorama contemporâneo da saúde mental estudantil; a reconstrução das categorias de disciplina, estigma, reconhecimento, pertencimento e conexão escolar; e a elaboração da categoria gramática punitiva escolar. Sustenta-se que ansiedade, depressão, autolesão e outras manifestações de sofrimento possuem determinações múltiplas e não podem ser causalmente atribuídas à escola. A tese defendida é que a gramática punitiva participa da inteligibilidade institucional do sofrimento por meio de quatro operações interdependentes: moralização dos sinais, classificação disciplinar, fixação estigmatizante da identidade e exclusão de oportunidades de aprendizagem e de relações escolares. Tais operações podem ocultar necessidades de cuidado, ampliar a vergonha e o desamparo e enfraquecer os vínculos de pertencimento. Como contribuição à pesquisa educacional brasileira, propõe-se uma matriz analítica para investigar as relações entre saúde mental, registros disciplinares, desigualdades e continuidade escolar, além de uma agenda de estudos empíricos articulada à Política Nacional de Atenção Psicossocial nas Comunidades Escolares.
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