Silenciamento normativo e a Lei n.º 10.639/2003: análise decolonial da materialidade nos planos decenais de educação (Brasil, Bahia e Jequié)
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.15290Palavras-chave:
Decolonialidade, Educação das Relações Étnico-raciais., Planejamento Educacional, Racismo institucional, Silenciamento NormativoResumo
Este artigo investiga a materialidade da Lei n.º 10.639/2003 no âmbito do planejamento educacional decenal, problematizando as tensões entre a prescrição legal antirracista e a sua incorporação discursiva nos documentos oficiais. A análise centra-se no confronto comparativo entre o Plano Nacional de Educação (PNE), o Plano Estadual de Educação da Bahia (PEE-BA) e o Plano Municipal de Educação (PME) de Jequié-BA. Fundamentado no referencial teórico da decolonialidade e no conceito de matriz colonial de poder, o estudo emprega a Análise de Conteúdo para mapear a recorrência e os contextos semânticos de doze descritores fundamentais da Educação das Relações Étnico-Raciais (ERER). Os resultados evidenciam a persistência de uma hierarquia do silenciamento: enquanto o PNE opera a omissão estratégica de descritores da ERER como racismo e raça, o plano de Jequié-BA manifesta um sequestro semântico do descritor inclusão, diluindo a especificidade da pauta racial em categorias humanistas genéricas. Conclui-se que a distância entre o texto legal e o planejamento formal ratifica o racismo institucional, exigindo um deslocamento epistemológico que converta o planejamento educacional em um dispositivo real de resistência e justiça cognitiva.
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