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Hermenêutica da suspeita e da afirmação: um estudo sobre a produção de sentidos a partir do filme o agente secreto em interação com a inteligência artificial e suas implicações educacionais

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DOI:

https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.15091

Palavras-chave:

filosofia da educação, cinema e educação, hermenêutica da suspeita, hermenêutica da afirmação, inteligência artificial

Resumo

O artigo investiga os processos de produção de sentidos a partir do filme O Agente Secreto (2025), de Kleber Mendonça Filho, tomando como disparador uma interação equivocada inicial entre o autor e o ChatGPT. A partir desse erro interpretativo – no qual a Inteligência Artificial (IA) atribui ao protagonista um papel que o filme deliberadamente recusa –, o texto propõe uma reflexão hermenêutica sobre como sentidos se constroem, se estabilizam e podem ser colocados em suspeição. Metodologicamente, adota-se uma abordagem hermenêutico-experimental, na qual a interação com um modelo generativo de linguagem é compreendida como evento interpretativo concreto, capaz de evidenciar atalhos cognitivos, arquétipos e vieses estatísticos mobilizados na produção de narrativas. O artigo articula essa experiência à tradição hermenêutica, especialmente à hermenêutica da suspeita em Paul Ricoeur, dialogando com Nietzsche e com a possibilidade de uma hermenêutica da afirmação, vinculada ao páthei máthos e à formação pela experiência. A distinção entre máthema e páthei máthos possibilita a problematização dos limites da IA na produção de sentidos, enfatizando que, embora capaz de simular narrativas e revisá-las, a IA não participa da dimensão existencial e formativa da experiência humana. Conclui-se que tanto o filme quanto a interação com a IA funcionam como dispositivos pedagógicos que convidam à suspensão de crenças, à desconfiança de sentidos impostos e à afirmação da experiência como fundamento da formação humana.

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Biografia do Autor

Rogério de Almeida, Universidade de São Paulo

Professor Titular da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP) e Coordenador do Lab_Arte (Laboratório Experimental de Arte-Educação Cultura). Vice-Líder do GEIFEC (Grupo de Estudos sobre Itinerários de Formação em Educação e Cultura) e do Grupo de Pesquisa em Comunicação e Criação nas Mídias - InterLab21CCM. Atualmente é Chefe do Departamento de Administração Escolar e Economia da Educação (EDA) e Presidente da Câmara de Avaliação Institucional da USP (CAI). É Editor Colaborador da Revista Machado de Assis em Linha e atuou como Editor da Revista Educação e Pesquisa (FEUSP) (2017-2021). Presidiu a Comissão de Cultura e Extensão da FEUSP (2016-2020) e foi Representante da Congregação no Conselho Universitário da USP (2018-2020). Bacharel em Letras (1997), Doutor em Educação (2005) e Livre-Docente em Cultura e Educação, todos os títulos pela Universidade de São Paulo (USP). Pós-doutoramento na Universidade do Minho (2016). Trabalha com temas ligados a Cinema, Literatura, Filosofia da Educação e Imaginário.

Postado

13/02/2026

Como Citar

Hermenêutica da suspeita e da afirmação: um estudo sobre a produção de sentidos a partir do filme o agente secreto em interação com a inteligência artificial e suas implicações educacionais. (2026). Em SciELO Preprints. https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.15091

Série

Ciências Humanas

Plaudit

Declaração de dados

  • Os dados de pesquisa estão contidos no próprio manuscrito