Corpovivências no enfrentamento à colonialidade: desdobramentos do construto na Linguística Aplicada Crítica
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.14348Palavras-chave:
corpovivências , colonialidade , Linguística Aplicada CríticaResumo
Desde a invasão dos europeus à Abya Yala, ainda no final do século XV, a supremacia racial, ontoepistemológica e linguística do homem branco, cisheterossexual, patriarcal, europeu e cristão tem sido amplamente disseminada como representação única e necessária do sujeito moderno. Na contramão dessa lógica, em minha tese de doutorado, defendida em 2023, propus a reinserção de corpos não-brancos, antipatriarcais, antirracistas, anticapitalistas e anticisheteronormativos como elementos centrais na identificação, questionamento e interrupção dos mais diversos apagamentos provocados pela colonialidade, aquilo que chamei de corpovivências decoloniais. Neste texto, discuto de que maneiras o conceito de corpovivências vem se afirmando como estratégia de enfrentamento à colonialidade e às suas múltiplas dimensões, dentro e fora da sala de aula de língua inglesa. Para isso, analiso trabalhos de pesquisadoras/es inseridas/os na Linguística Aplicada Crítica que mobilizam o construto, selecionados a partir de buscas realizadas no Google Acadêmico. Mais do que fortalecer a língua como entidade neutra, apolítica e com fins meramente comunicativos, as corpovivências evidenciam possibilidades de criação de sentidos e reimaginação de mundos por meio da língua[gem]. As análises realizadas indicam que essas potencialidades atravessam os trabalhos que mobilizam o construto, evidenciando sua relevância para o enfrentamento da colonialidade e para o surgimento de praxiologias outras que articulam corpo, subjetividade, escrita, vivência, resistência e reexistência.
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