DA PÁTRIA À FRATRIA: PERSPECTIVAS PARA PENSAR A CONSTITUIÇÃO SUBJETIVA E O LAÇO SOCIAL
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.14107Palavras-chave:
psicanálise, educação, autoridade, autonomia, heteronomiaResumo
O presente artigo se configura como um estudo teórico e problematiza, com base na obra freudiana e intérpretes, as noções de função paterna e função fraterna na constituição da subjetividade e na configuração do laço social, articulando-os aos conceitos filosóficos de heteronomia e autonomia, os quais têm historicamente balizado a educação, particularmente desde Kant. Ambas perspectivas teóricas partilham de um mesmo fundamento, a saber: é a partir do enlace com o semelhante já humanizado que o indivíduo da espécie encontra as chances de sua humanização e singularização, bem como a possibilidade de ressignificar coletivamente o mundo herdado. Um feito que se dá primeiramente pela introdução do recém-chegado no mundo da cultura por meio de um interdito simbólico (função paterna/heteronomia) e pelo enlace intersubjetivo em favor da convivência num mundo partilhado (função fraterna/autonomia). Conclui-se que o sentido para a educação das funções paterna e fraterna, de específico domínio psicanalítico, alude para a ideia fundamental de que educar implica assumi-las desde o seu efeito estruturante, mas, sobretudo sustentá-la. No que atine à função paterna, implica admitir a necessária relação heterônoma e assimétrica entre velhos e novos, adultos e crianças, pais e filhos, exigente que é do assujeitamento do sujeito ao mundo simbólico da cultura, não como seu destino, mas como sua condição. No que atine à função fraterna, educar significa criar as condições para que cada recém-chegado consiga estabelecer laços com os seus semelhantes e, juntos, possam receber e articular o legado transmitido, constituindo mundo.
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- 16/09/2026 (2)
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