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A discussão de Rawls com Aron sobre a “paz de satisfação” e os contornos de uma teoria normativa realista das relações internacionais

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DOI:

https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.13174

Palavras-chave:

John Rawls, Raymond Aron, realismo político , Teoria normativa das relações internacionais , paz, Ética da responsabilidade

Resumo

Partindo do "realist revival" na Teoria Política Contemporânea, este artigo pergunta quais seriam os contornos de uma teoria normativa realista das relações internacionais. Propomos a hipótese de que a discussão que John Rawls estabelece com Raymond Aron sobre o conceito de "paz de satisfação", em O Direito dos Povos, pode ser abordada como uma via para delinear tais contornos. O Direito dos Povos de Rawls e Paz e Guerra entre as Nações de Aron são apresentados como obras importantes para explorar o que seria uma teoria normativa realista das relações internacionais. Ambas investigam os princípios morais que devem orientar a política externa de uma democracia liberal, mas apresentam paradigmas divergentes para conceber a paz. Por um lado, argumentamos que o conceito rawlsiano de utopia realista apresenta aspectos relevantes para uma teoria normativa realista das relações internacionais. Por outro lado, ao reconstruir a maneira como Rawls se apropria do conceito aroniano de "paz de satisfação", constatamos um afastamento em relação à ´ética da responsabilidade cara à tradição realista de pensamento político, uma vez que essa paz é indissociável de uma guerra justa contra "Estados fora da lei" cujas consequências potencialmente indesejáveis não são integradas à teoria de Rawls. Concluímos que os princípios da estratégia defensiva que Aron havia pregado para as democracias liberais durante a Guerra Fria se revelam mais compatíveis com a ética da responsabilidade. Esses princípios envolvem uma paz estabelecida mediante o equilíbrio de forças entre potências e a defesa dos valores prometidos pela democracia liberal.

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Biografia do Autor

Felipe Freller, Universidade de São Paulo

Professor Doutor do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP) e Diretor Secretário do Centro de Estudos de Cultura Contemporânea (Cedec). Possui graduação em Ciências Sociais pela USP, mestrado em Ciência Política pela mesma universidade e doutorado em Ciência Política em dupla titulação entre a USP e a École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS). Foi pesquisador de pós-doutorado no Departamento de Filosofia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com estágio de pesquisa no Centre d'Études Sociologiques et Politiques Raymond Aron da École des Hautes Études en Sciences Sociales (CESPRA-EHESS), onde foi pesquisador associado de 2020 a 2022. Sua tese recebeu o Grande Prêmio CAPES Oscar Niemeyer do Colégio de Humanidades e o Prêmio CAPES de Tese da área de Ciência Política e Relações Internacionais, além de Menção Honrosa no Prêmio Tese Destaque USP. Ela foi publicada no Brasil, pela editora Appris, e na França, pela editora Classiques Garnier, com prefácio de Pierre Manent. Atua no cruzamento entre a história do pensamento político e a teoria política contemporânea, tendo estudado o liberalismo político francês da primeira metade do século XIX e as reflexões sobre totalitarismo, liberalismo, democracia e direitos humanos no pensamento político francês contemporâneo. Desenvolve atualmente projeto de pesquisa sobre a revitalização do realismo político na teoria política contemporânea, seus antecedentes históricos e suas contribuições para pensar os temas da Justiça Global.

Postado

04/09/2025 — Atualizado em 11/03/2026

Versões

Como Citar

A discussão de Rawls com Aron sobre a “paz de satisfação” e os contornos de uma teoria normativa realista das relações internacionais. (2026). Em SciELO Preprints. https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.13174 (Original work published 2025)

Série

49º Encontro Anual da ANPOCS

Plaudit

Justificativa da versão

O artigo foi reformulado depois de ter sido apresentado e debatido em três eventos acadêmicos em 2025.

Declaração de dados

  • Os dados de pesquisa estão contidos no próprio manuscrito