POR UM HORIZONTE PÚBLICO NA EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.2386Palavras-chave:
Formação das crianças, educação e crianças, Hannah Arendt e educaçãoResumo
Este artigo propõe discorrer sobre a extensão da crise do mundo moderno no âmbito da educação ressaltada por Hannah Arendt em seu ensaio “A crise na educação”. O questionamento sobre “a obrigação que a existência de crianças impõe a toda a sociedade” é a chave de leitura para uma aposta ético-política na formação das novas gerações em um mundo desencantado pela estranheza do humano e pela flagrante negação de critérios que o passado – como autoridade – nos legou como apoio para a ação e julgamento sobre o mundo. Se à educação não deve recair toda a responsabilidade pelo mundo, ao menos deve ser capaz de inserir as crianças em uma cultura pública que as possibilitem voltar para o aspecto público do mundo para dele se apropriarem. As questões tematizadas por Arendt nos mobilizam a pensar que somente uma educação fundada em um horizonte público é capaz de formar as crianças de modo que tenham a oportunidade, quando jovens, de agir no mundo e serem capazes de discernir o justo do injusto, a verdade da mentira, o bem do mal. Se suas reflexões revelam a utopia de seu pensamento, revelam também a esperança e a responsabilidade coletiva que a chegada das crianças em um mundo preexistente nos impõe.
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