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Do Excedente à Produção de Moléculas

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DOI:

https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.18716

Palavras-chave:

etanol, eletrificação, biomanufatura , bioeconomia , política agrícola , cana-de-açúcar , etanol de milho

Resumo

Três fatos de 2026 marcam o fim do ciclo do etanol como produto exclusivamente combustível e de mercado doméstico, mas não o do etanol combustível. Em 2025/26, o etanol de milho cresceu 29,8% e o de cana caiu 6,9%; em agosto, a mistura na gasolina subiu para 32%, a três pontos do teto; em julho, 9,7% dos leves emplacados foram 100% elétricos, e um terço dos hatches pequenos, segmento que mais consome hidratado. Um modelo de frota por ano de venda, com trajetórias de eletrificação de 23 países, confronta a demanda de etanol de leves e motocicletas até 2050 com a expansão projetada do milho. O excedente chega a 10–18 bilhões de litros em 2035 e 14–24 bilhões em 2040, contra o equilíbrio do plano decenal, e persiste com eletrificação lenta, porque começa pelo milho. Somados, os mitigadores (mix açúcar–etanol, freio no milho, mistura a 35%, participação do hidratado no patamar de 2019) aproximam do equilíbrio o balanço central de 2035, mas deixam 4 a 8 bilhões em 2040 (0 a 5 com eletrificação lenta). Novos destinos (navegação, diesel renovável, querosene de aviação, química, exportação) podem absorver 6 a 18 bilhões em 2040, mas não estão contratados. Propõe-se tratar o excedente como plataforma: abrir esses mercados, capturar o CO₂ de fermentação e instalar biomanufatura por contrato em usinas e biorrefinarias, com piloto paulista. Com décadas de ciência agronômica tropical e uma nova geração de cientistas, o Brasil pode tornar-se fornecedor confiável de combustíveis, moléculas, proteínas e remoções de carbono.

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Enviado

02/11/2026

Postado

06/11/2026

Como Citar

Série

Ciências Agrárias

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