A informação contábil perdeu relevância no mercado de capitais brasileiro? Três décadas de evidências sob diferentes escalas de mensuração
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.18699Palavras-chave:
relevância da informação contábil, árvores de regressão, efeito de escalaResumo
O estudo verifica se os achados de Barth, Li e McClure (2023) se reproduzem na B3 ao longo de 31 exercícios. A pesquisa investiga se a tendência observada reflete a real relevância da informação contábil ou se é apenas um efeito da escala das medidas por ação. Para testar a hipótese, utilizou-se uma amostra de 7.884 empresa-anos não financeiros. O preço por ação foi modelado por meio de um bagging de árvores contendo 16 itens contábeis e dez indicadores setoriais. A relevância foi mensurada pelo R² out-of-bag e pela perda desse indicador quando itens e blocos foram reatribuídos em relação a uma distribuição nula trocável. Os resultados revelaram que o R² por ação no Brasil cai 1,31 ponto percentual ao ano, apresentando uma trajetória oposta à registrada nos Estados Unidos. Essa queda, contudo, não prova a perda de relevância contábil, pois decorre do efeito da divisão pelo número de ações. Grupamentos de ações, concentrados em empresas de baixo preço, comprimiram a dispersão dos preços, enquanto a variação do valor de mercado em logaritmo permaneceu estável. Quando a divisão por ações é removida, o R² atinge média de 73% e não apresenta tendência de queda estatisticamente detectável. Por outro lado, a métrica passa a depender fortemente do tamanho da firma, admitindo uma redução de até 17,5 pontos em 30 anos. Outras formas de deflacionar os dados geram respostas ambíguas. O uso do ativo como deflator, por exemplo, mostra um salto pontual em 2010. A evolução da relevância contábil no Brasil permanece inconclusiva. Não foi detectada perda de peso do lucro e o aumento da importância dos demais grupos se mostrou frágil. Apenas três testes, todos focados no balanço patrimonial, se diferenciaram do ruído após a aplicação de correções para testes múltiplos. Como principal contribuição, o trabalho entrega a primeira replicação desse desenho metodológico no país, comprova que a divisão por ações distorce comparações do R² ao longo do tempo e estabelece uma comparação entre o uso de bases comerciais e dados abertos.
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