Privatização da educação infantil: a atuação de fundações privadas na formação docente
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17510Palavras-chave:
neoliberalismo, prática pedagógica, terceiro setor, YouTubeResumo
Este artigo analisa como fundações privadas têm atuado na formação docente da educação infantil por meio da difusão de concepções pedagógicas e da produção de materiais audiovisuais destinados às redes públicas de ensino. Parte-se da compreensão de que a privatização da educação não se restringe à oferta ou à gestão, alcançando também a dimensão curricular e os processos formativos. A pesquisa, de abordagem qualitativa, fundamenta-se em análise documental e audiovisual de vídeos publicados no YouTube por cinco organizações do terceiro setor que atuam na educação brasileira: Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Fundação Romi, Itaú Social, Nova Escola/Fundação Lemann e Instituto Avisa Lá. O estudo mobiliza, majoritariamente, os referenciais teóricos de Bourdieu (1983), Laval (2019), Ball (2022) e autores do campo das políticas educacionais e da privatização da educação. A análise evidencia que os vídeos operam como mecanismos de formação docente, difundindo modelos pedagógicos alinhados à racionalidade neoliberal, centrados na valorização da prática, da sensibilidade e da adaptação individual das professoras. Observa-se ainda a construção de uma autoridade simbólica das fundações, legitimada pela presença de especialistas e pela ampla circulação midiática desses materiais. Conclui-se que tais iniciativas contribuem para a desintelectualização da docência e para o esvaziamento da dimensão crítica, coletiva e política da formação de professoras da educação infantil.
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