Microbiota Oral e o Eixo Intestino–Cérebro no Transtorno do Espectro Autista: Uma Revisão Sistemática
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17313Palavras-chave:
transtorno do espectro autista, microbiota oral, eixo intestino–cérebro, revisão sistemáticaResumo
Objetivo:Realizar uma revisão sistemática da literatura para analisar a associação entre a microbiota oral e o eixo intestino-cérebro no contexto do Transtorno do Espectro Autista (TEA), investigando se alterações no ecossistema microbiano oral podem refletir processos sistêmicos relacionados ao transtorno.Métodos: A revisão foi conduzida conforme as diretrizes PRISMA 2020. Foram realizadas buscas nas bases Embase, PubMed, Scopus e Web of Science, utilizando descritores relacionados à microbiota oral, TEA e o eixo intestino-cérebro. Foram incluídos estudos em humanos publicados entre 2015 e 2025 que avaliaram a microbiota oral (saliva, placa ou swab) e sua relação com desfechos do TEA. A qualidade metodológica foi avaliada pelos checklists do Joanna Briggs Institute (JBI), e a triagem foi gerenciada via software Rayyan. 12 estudos preencheram os critérios de elegibilidade para a síntese qualitativa.Resultados:Os estudos demonstraram de forma consistente alterações na composição, diversidade e riqueza da microbiota oral em indivíduos com TEA em comparação aos controles, caracterizando um estado de disbiose. Os principais filos identificados foram Firmicutes, Bacteroidetes, Proteobacteria, Actinobacteriota e Fusobacterium. A análise revelou que essas alterações microbianas orais correlacionam-se com desfechos clínicos, comportamentais, inflamatórios e metabólicos. Além disso, evidências de estudos que analisaram simultaneamente as microbiotas oral e intestinal sugerem uma interação sistêmica, com perfis de disbiose compartilhados, fortalecendo a relevância da cavidade oral como um sítio de biomarcadores potenciais e como componente do eixo oral-intestino-cérebro.Conclusões:A microbiota oral apresenta-se como um componente integrado ao eixo intestino-cérebro no TEA, não devendo ser analisada isoladamente. Os achados indicam que o desequilíbrio microbiano oral está associado à expressão clínica e fisiopatológica do transtorno. Embora novos estudos com populações maiores e padronização metodológica sejam necessários, os resultados sustentam a microbiota oral como um alvo promissor para o desenvolvimento de biomarcadores diagnósticos e futuras estratégias terapêuticas complementares no cuidado individualizado ao autismo.
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Copyright (c) 2026 Willy Rilston Souza de Jesus, Marcos Fernandes Morales, Júlia Cunha Gonzales, Nataly Emanuelle Ament de Souza, Alinne Pereira de Castro

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