"Chamar a atenção sem chamar a atenção”: uma tomada de consciência em clínica da atividade docente
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17213Palavras-chave:
clínica da atividade, autoconfrontação, tomada de consciênciaResumo
Este estudo investiga uma tomada de consciência de uma professora de Língua Portuguesa, na Educação Básica, em relação ao gesto profissional docente de “chamar a atenção [dos alunos] sem [lhes] chamar a atenção”, ou seja, envolvê-los na aula sem repreendê-los por comportamento inadequado. Isso se revelou em uma ação de formação continuada em um colégio estadual de Pato Branco-PR. O problema da pesquisa é centrado em como ter a atenção dos alunos, no sentido de engajá-los nos estudos, sem censurá-los, em condições reais de sala de aula. Dessa forma, o objetivo deste trabalho é investigar o gesto espontâneo da professora de destacar a palavra “esboçava” no quadro durante a leitura de um texto feita por uma aluna em sala de aula. A metodologia é fundamentada na Clínica da Atividade Docente (CAD), com filmagem de aulas, entrevistas em autoconfrontação simples (ACS) e transcrição de acordo com o projeto NURC/SP, visando identificar pontos cegos da prática pedagógica e contribuir para a transformação no ensino-aprendizagem. A análise dos dados é orientada por uma perspectiva discursiva (Bakhtin, 2016) e desenvolvimental (Vigotski, 2008). Os resultados indicam que o gesto espontâneo observado no vídeo é uma recriação da atividade docente da professora em um movimento oscilante, denominado atividade reguladora (Lima, 2008; 2010), entre ensinar vocabulário e conter a dispersão discente. Além disso, a tomada de consciência é desencadeada por uma sequência de reformulação do texto oral (Cazzoli, 2026) em situação de autoconfrontação na CAD.
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