Quem cuida de quem cuida? Sofrimento docente, trabalho emocional e produção de subjetividades na educação infantil
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17207Palavras-chave:
Sofrimento docente, educação infantil, cuidado, subjetividade, cartografiaResumo
Inspirado na problemática do cuidado e do desamparo presente na obra Capitães da Areia, de Jorge Amado, este artigo analisa processos de produção e invisibilização do sofrimento docente na educação infantil. O estudo foi desenvolvido no âmbito do projeto “Subjetividade na Contemporaneidade: o eu e o eu social” e contou com a participação voluntária de dez professoras acompanhadas ao longo de um ano letivo. Metodologicamente, adotou-se a cartografia como perspectiva de investigação, articulada à realização de entrevistas semiestruturadas. A análise evidenciou que o sofrimento docente é produzido em meio a relações complexas envolvendo trabalho emocional, responsabilização pelo cuidado, intensificação das demandas institucionais e crescente plataformização das práticas escolares. Os resultados indicam que, embora as professoras sejam continuamente convocadas a acolher e cuidar de crianças e famílias, seus próprios processos de sofrimento tendem a permanecer invisibilizados ou naturalizados nos contextos educacionais. A interlocução com a obra de Jorge Amado possibilitou problematizar formas contemporâneas de desamparo que atravessam o trabalho docente e os processos de produção de subjetividades. Conclui-se que compreender o sofrimento docente exige ultrapassar abordagens centradas exclusivamente no indivíduo, considerando as condições institucionais, relacionais e subjetivas que configuram o trabalho na educação infantil contemporânea.
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