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Zonas assombradas: breves notas de uma etnografia entre fantasmas e desastres em Petrópolis-RJ

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  • Felipe Akira Miasato Instituto de Medicina Social da UERJ https://orcid.org/0000-0002-1182-6807
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DOI:

https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17096

Palavras-chave:

Desastres, Memória, Assombração, Medicalização

Resumo

Após desastres, é comum a circulação de narrativas sobre fantasmas e assombrações nas áreas devastadas, fenômeno pesquisado internacionalmente. Não são metáforas: pessoas relatam aparições naquelas áreas e evitam frequentá-las, conforme observado na Tailândia, no Japão, no Vietnã, na China, na Argentina e em diversos países. Este trabalho apresenta breves notas da etnografia “Águas passadas”, tese defendida no IMS/UERJ, que analisou essas experiências em Petrópolis, município historicamente atravessado por desastres. Perspectivas socioantropológicas e decoloniais, em diálogo com a psicanálise, nortearam e desnortearam o trabalho de campo, configurando essa pesquisa como um convite à hospitalidade aos fantasmas, por uma preocupação por justiça, como defendeu Derrida. A assombração e o fantasma são compreendidos como conceitos operativos, sustentados pela socióloga Avery Gordon, que constituem, respectivamente, tanto uma experiência quanto uma figura social dotada de agência. Criticamente distante de abordagens que tendem à condescendência e à medicalização desses fenômenos sociais, as “zonas assombradas” configuram um limítrofe não-lugar feito de transições, passagens e mortes, onde os vínculos sociais se estendem para além dos vivos, atravessado por medos, interseccionalidades, desenraizamentos e disputas de pertencimento. Nessas zonas, essas narrativas constituem um trabalho coletivo de memória e elaboração, e um recurso estratégico contra o esquecimento.

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Biografia do Autor

Felipe Akira Miasato, Instituto de Medicina Social da UERJ

Doutor em Saúde Coletiva pelo IMS/UERJ. Mestre em Saúde Pública pela ENSP/Fiocruz. Psicanalista, membro associado do Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro. Foi residente do Instituto Philippe Pinel, trabalhador da Rede de Atenção Psicossocial do RJ e professor assistente na UFF.

Enviado

23/07/2026

Postado

27/07/2026

Como Citar

Zonas assombradas: breves notas de uma etnografia entre fantasmas e desastres em Petrópolis-RJ. (2026). Em SciELO Preprints. https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17096

Série

50º Encontro Anual da ANPOCS

Dados de financiamento

Plaudit

Declaração de dados

  • Os dados de pesquisa estão contidos no próprio manuscrito