Correlação entre Marcadores Epigenéticos e Fatores Sociodemográficos no Transtorno do Espectro Autista no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17032Palavras-chave:
Transtorno do Espectro Autista, epigenética , desigualdades sociais, Censo Demográfico, BrasilResumo
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento multifatorial cuja etiologia envolve interações entre fatores genéticos, ambientais e epigenéticos. A epigenética atua como uma interface molecular entre o ambiente e a expressão gênica, sendo sensível a condições sociais adversas. Este estudo analisou a distribuição sociodemográfica do TEA no Brasil a partir de dados do Censo Demográfico 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), correlacionando os padrões observados com achados da literatura epigenética. A análise descritiva revelou que, no Brasil, a maior prevalência de diagnósticos encontra-se na região Sudeste (1.042.066 casos); entre o sexo masculino (razão ~3:1), na faixa etária de 5 a 9 anos e entre indivíduos autodeclarados brancos. Esses padrões estão sujeitos a vieses de subnotificação e ao acesso desigual ao diagnóstico. A integração desses dados sociodemográficos com as evidências moleculares indica que diferenças ligadas ao sexo na metilação do DNA (envolvendo genes como MECP2), exposições ambientais com variabilidade regional (poluentes, estresse psicossocial) e insegurança alimentar podem modular a expressão de genes de suscetibilidade ao TEA, como RELN e SHANK3. Dados recentes mostram que estressores crônicos alteram os padrões de metilação em genes do neurodesenvolvimento, sugerindo que as disparidades regionais e raciais não refletem apenas barreiras de acesso, mas também diferenças reais na carga de exposição a fatores ambientais com potencial epigenético. Conclui-se que as disparidades no diagnóstico do TEA no Brasil refletem desigualdades estruturais no acesso aos serviços de saúde, exacerbadas por mecanismos epigenéticos mediados por condições socioambientais em populações vulneráveis. Políticas equitativas e pesquisas integrativas são essenciais para o diagnóstico precoce e o cuidado universal.
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