Os encontros burocráticos no contexto dos residenciais do Programa Minha Casa Minha Vida em municípios do Rio Grande do Sul
DOI:
https://doi.org/10.1590/0034-761220250472Palavras-chave:
implementação de políticas públicas, Programa Minha Casa Minha Vida, encontros burocráticos, sociologia do guichêResumo
O artigo analisa os múltiplos efeitos da implementação de políticas públicas, enfatizando como esse processo pode tanto reduzir quanto (re)produzir desigualdades sociais. Com base em uma articulação entre a literatura sobre implementação de políticas públicas – especialmente os estudos sobre burocratas de nível de rua – e as contribuições da Sociologia do Guichê, examina-se a dinâmica dos “encontros burocráticos” no contexto da Faixa 1 do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV) em dois municípios do Rio Grande do Sul: Santa Cruz do Sul e Pelotas. A pesquisa empírica baseou-se em observações diretas, aplicação de questionários e entrevistas semiestruturadas com moradores de dois conjuntos habitacionais. Os resultados indicam que os efeitos da implementação não se restringem à dimensão material da moradia, mas incidem sobre processos simbólicos de reconhecimento, pertencimento e hierarquização social. Os encontros burocráticos revelam-se centrais na conformação dessas experiências, podendo reforçar percepções de subalternidade e inferiorização, ou, em alguns casos, produzir distinção e reconhecimento social. Argumenta-se que a etapa de implementação constitui momento privilegiado de produção cotidiana das desigualdades, exigindo análises que considerem suas dimensões relacionais, territoriais e simbólicas.
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