Abrindo a "caixa preta" do fracasso: capacidade burocrática e implementação do orçamento participativo em Bogotá
DOI:
https://doi.org/10.1590/0034-761220250044xPalavras-chave:
orçamento participativo, participação do cidadão, implementação, capacidade burocrática, fracasso de políticasResumo
Apesar da expansão global do Orçamento Participativo (OP), muitas dessas iniciativas fracassam. As explicações existentes para esses resultados enfatizam fatores como compromisso governamental e capital social. No entanto, o impacto da capacidade administrativa e da coordenação intersetorial na implementação do OP é um campo pouco estudado. Este artigo aborda esse vazio na literatura. Por meio de um estudo de caso qualitativo do OP na cidade de Bogotá durante a administração do prefeito Gustavo Petro, no período entre 2012 e 2015, este estudo compara o OP territorial e o OP setorial. Os resultados mostram que o OP setorial obteve relativo sucesso, devido a que foi implementado através das estruturas administrativas existentes. Em contraste, o OP territorial fracassou devido à rigidez burocrática, à fraca coordenação intersetorial e à ausência de mecanismos financeiros intersetoriais necessários para sua implementação. O caso é uma prova que o compromisso governamental e o capital social, ainda que importantes, são insuficientes: a execução bem-sucedida do OP exige transformações administrativas prévias. O caso da cidade de Bogotá ilustra como a inércia burocrática pode enfrequecer os objetivos participativos. Além disso, diante da ausência de tais reformas administrativas, o OP setorial pode representar uma alternativa viável.
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