Estresse percebido, dor e cicatrização de feridas de difícil cicatrização: estudo de coorte multinacional
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.16408Palavras-chave:
Estresse Psicológico, Ferimentos e Lesões, Cicatrização, Dor, Estomaterapia, PsicologiaResumo
Objetivo: Identificar e analisar a associação entre estresse percebido, dor e cicatrização em pacientes com feridas de difícil cicatrização, comparando achados de dois contextos distintos de atenção à saúde: Brasil e Canadá. Métodos: Esta análise secundária utilizou dados de dois estudos observacionais prospectivos. A amostra incluiu 54 participantes: 32 do Brasil e 22 do Canadá. Os dados foram coletados ao longo de 2 a 6 visitas por meio de entrevistas, avaliações das feridas e revisão de prontuários. As medidas incluíram dados clínicos e sociodemográficos, intensidade, interferência e experiência subjetiva da dor, cicatrização da ferida e estresse percebido. As comparações entre os países foram realizadas por testes paramétricos ou não paramétricos, e as associações longitudinais foram examinadas por meio de modelos lineares de efeitos mistos. Resultados: Nenhuma medida de dor ou estresse da amostra total apresentou associação significativa com os escores de cicatrização ao longo do tempo. Entretanto, as associações entre dor, estresse e cicatrização diferiram entre os países. No Brasil, escores mais elevados do BPIS e da PSS tenderam a corresponder a escores mais baixos do PUSH, enquanto, no Canadá, tenderam a corresponder a escores mais altos do PUSH. A etiologia das feridas também diferiu significativamente, com predominância de feridas vasculogênicas no Brasil e de feridas cirúrgicas no Canadá. A duração das feridas foi maior no Brasil do que no Canadá. Participantes do sexo feminino apresentaram maiores escores de estresse e dor, enquanto os participantes brasileiros relataram maior interferência da dor nas atividades diárias, sendo ambos os achados estatisticamente significativos. Conclusão: O estresse percebido e a dor não estiveram associados à cicatrização das feridas na amostra total. Contudo, a comparação entre dois contextos de atenção à saúde revelou diferenças clinicamente relevantes na cronicidade, etiologia e interferência da dor, sugerindo que os aspectos psicossomáticos do cuidado de feridas podem ser dependentes do contexto e devem ser interpretados à luz de trajetórias assistenciais específicas e de formas culturais de expressão.
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Copyright (c) 2026 Beatriz Costa Ferreira, Carol Viviana Serna González, Tim Salomons, Kevin Woo, Vera Lucia Conceição de Gouveia Santos

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Dados de financiamento
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Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão, Fundação Amazônia Paraense de Amparo à Pesquisa
Números do Financiamento 2024/21155-7;2025/03570-0
Plaudit
Declaração de dados
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Os dados de pesquisa estão disponíveis sob demanda, condição justificada no manuscrito


