Variações no perfil dos ingressantes na carreira diplomática brasileira
DOI:
https://doi.org/10.1590/0034-761220260001Palavras-chave:
diplomatas, ministério das relações exteriores, burocratas, perfil, cotas raciaisResumo
O perfil dos diplomatas ingressantes no Itamaraty foi investigado por trabalhos anteriores, como de Cheibub (1989) e Lima e Oliveira (2018), mas, no começo deste século, ocorreram modificações relevantes no processo seletivo e a instituição de cotas para negros (pretos e pardos) nos concursos. Assim, o objetivo deste estudo é analisar se houve transformações no perfil dos novos diplomatas. Foram solicitados ao Ministério das Relações Exteriores (MRE) dados relativos aos empossados na carreira entre 2011 e 2024. Os resultados demonstraram forte aumento de ingressantes negros. Recortes anteriores não apontavam sequer 3% e, entre os que ingressaram recentemente, mais de 26% se declararam pretos ou pardos. A cidade com mais nascidos é o Rio de Janeiro, mas a novidade é o alto número de oriundos de Belo Horizonte – quatro vezes superior às capitais nordestinas do mesmo porte. Regionalmente, apenas 1% dos ingressantes nasceu no Norte. Em termos educacionais, a combinação de curso e universidade mais frequente é Relações Internacionais na Universidade de Brasília (UnB), instituição que só formou menos novos empossados que a Universidade de São Paulo (USP). Relações Internacionais é a graduação de 31% dos ingressantes analisados e, por ter se expandido pelo país apenas nos últimos 30 anos, parece ameaçar a histórica liderança do Direito apontada pela literatura. A idade média subiu para 29 anos e a participação feminina segue com tendência de alta – 28% dos novos ingressantes.
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