Políticas pombagíricas do comum: Trapo, Farrapo e Molambo como agentes de mundos possíveis
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.15228Palavras-chave:
comum, resto, pombagiraResumo
Este artigo propõe uma reflexão antropológica sobre as políticas pombagíricas do comum, tomando as figuras de Maria Molambo, Maria Farrapo e Maria do Trapo como agentes ontopolíticos na produção de mundos possíveis. A partir das macumbas brasileiras, argumenta-se que trapo, farrapo e lixo não operam apenas como signos de degradação ou exclusão social, mas como operadores positivos de valor, pertencimento e cuidado. Em diálogo com debates sobre o comum, a colonialidade, a necropolítica, a abjeção e a cosmopolítica, sustenta-se que o resto constitui uma categoria ontopolítica central para compreender formas de vida que emergem nas sobras da modernidade colonial. Ao articular contribuições da antropologia do comum e da antropologia da saúde brasileira, demonstra-se que o cuidado, nas práticas pombagíricas, configura-se como prática relacional, situada e coletiva, produzida em contextos de precariedade estrutural. A noção de cosmopolítica do resto permite deslocar concepções normativas do comum, afirmando o resto como infraestrutura sensível da vida compartilhada.
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