Experiências digitais da anorexia: uma netnografia de histórias de vida em vlogs e podcasts do YouTube
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.14139Palavras-chave:
netnografia, anorexia , narrativasResumo
Objetivo: conhecer os temas compartilhados por mulheres com anorexia por meio de histórias de vida no YouTube. Buscou-se compreender como narram sua experiência e que significado atribuem à doença. Metodologia: o estudo teve uma abordagem qualitativa com metodologia netnográfica. Foram analisados cinco vídeos com um total de 1 hora e 44 minutos de gravação. Esses vídeos são de mulheres entre 18 e 30 anos que compartilham um diagnóstico de anorexia. Os materiais foram selecionados a partir da busca “vivência com anorexia”. Realizou-se uma análise do discurso e do conteúdo narrativo, focada em identificar temas recorrentes, emoções expressas e os significados que as participantes atribuem à sua experiência. Resultados: identificaram-se cinco categorias: Percepção do corpo, Influências do entorno, Manifestações do mal-estar, Estratégias de controle e Reconstrução pessoal. Percepção do corpo foi um eixo central, pois todas as participantes se percebiam “gordas”, mesmo com baixo peso, refletindo uma autoimagem distorcida e uma constante comparação com os ideais de beleza difundidos nas redes sociais. Em Influências do entorno, observou-se que comentários familiares e sociais reforçaram sentimentos de culpa e insegurança, enquanto as redes sociais atuaram como um espaço ambivalente: fonte de pressão estética, mas também de apoio e compreensão. Manifestações do mal-estar revelou sintomas físicos como cansaço e tonturas, acompanhados de emoções como ansiedade, tristeza e medo, narradas com tom neutro, evidenciando uma normalização do sofrimento. Em Estratégias de controle, apareceram condutas como jejuns, dietas rígidas e exercícios excessivos, que proporcionavam sensação de domínio, embora reforçassem a doença. Na Reconstrução pessoal, as participantes destacaram que falar sobre sua experiência, pedir ajuda e receber apoio emocional foram passos fundamentais para a recuperação. Conclusão: conclui-se que a anorexia não pode ser compreendida apenas como um transtorno alimentar, mas como uma experiência complexa influenciada por fatores sociais, culturais e emocionais. Ouvir as vozes de quem vive a condição permite compreendê-la com empatia e elaborar estratégias de prevenção mais humanas e próximas da realidade.
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