Abordagens geolinguísticas para descrição de variedades do português brasileiro: aspectos contatuais, migracionais e histórico-sociais
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.13973Palavras-chave:
Geolinguística, Contato, Migração, Histórico-socialResumo
Este trabalho propõe uma revisão teórico-metodológica da Geolinguística brasileira, apresentando três frentes de abordagens emergentes: a contatual, a migracional e a histórico-social. Fundamentado na Dialetologia Pluridimensional e Relacional (Radtke; Thun, 1996), o estudo parte do pressuposto de que as dimensões sociais e históricas são indissociáveis da variação linguística, sendo necessário compreender a língua em seus contextos de mobilidade, contato e formação sociocultural. A abordagem contatual é analisada como o eixo que redefine a Geolinguística tradicional ao incorporar o estudo das línguas em contato e da influência mútua entre variedades linguísticas. No Sul do Brasil, destacam-se projetos como o Atlas Linguístico-Etnográfico da Região Sul (ALERS) e o Atlas Linguístico-Contatual das Minorias Alemãs na Bacia do Prata (ALMA-H), voltados à descrição do português em contato com línguas de imigração. No Norte, estudos como o de Sanches (2020) e o de Guedes (2017) e Rodrigues, 2017) evidenciam a interinfluência entre o português e línguas autóctones, além de processos de substituição e hibridização linguística. A abordagem migracional amplia a perspectiva de análise ao incluir a dimensão diatópico-cinética, que compara o comportamento linguístico de grupos estáveis e móveis (topostáticos e topodinâmicos). Estudos desenvolvidos por Figueiredo (2014), Cuba (2015), Silva (2018) e Meurer (2022) demonstram como a mobilidade populacional e os contínuos urbano-rurais influenciam fenômenos fonético-fonológicos e lexicais. O processo de covariação, entendido como a coexistência de variantes regionais e suprarregionais, é interpretado como reflexo das dinâmicas migracionais e da complexa tessitura sociolinguística brasileira. Por fim, a abordagem histórico-social está centrada nas rotas histórico-linguísticas. Nessa vertente, o Atlas Linguístico da Rota dos Tropeiros (Chofard, 2023) exemplifica como percursos e eventos históricos podem delimitar áreas dialetais e explicar contatos intervarietais entre as variedades paulista e sul-rio-grandense. Conclui-se que essas três abordagens não competem, mas se complementam, consolidando a Geolinguística brasileira como uma ciência pluridimensional e aberta a novas perspectivas de análise.
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Copyright (c) 2025 Amanda Chofard, Greize Alves da Silva, Romário Duarte Sanches

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