BURNOUT CÍVICO: efeitos emocionais e afetivos da polarização e da radicalização política no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.13526Palavras-chave:
Polarização, Radicalização, Violência Política, Burnout Cívico, Grupos FocaisResumo
Este artigo analisa os efeitos emocionais e afetivos da polarização política no Brasil e apresenta o conceito de burnout cívico como contribuição original ao debate. O burnout cívico é definido aqui como um afastamento estratégico do debate público motivado pela sobrecarga emocional diante de um ambiente político percebido como desgastante no nível interpessoal e, sobretudo, como tóxico no nível pessoal. Diferente da apatia política, ele expressa cansaço, exaustão e evitamento por medo de conflitos, e não indiferença à política, funcionando como uma forma de autopreservação diante da intensificação dos conflitos políticos nos espaços de sociabilidade cotidiana – entre amigos, famílias, ambientes profissionais e religiosos. A partir de 70 minigrupos focais com 210 eleitores de todas as regiões do país – incluindo eleitores de Bolsonaro (2018 e 2022), de Haddad e Lula (2018 e 2022)) e ainda eleitores arrependidos que migraram do voto em Bolsonaro (2018) para Lula (2022) – observa-se que, para muitos, a política tornou-se uma experiência de desgaste emocional contínuo. Entende-se o burnout cívico como um fenômeno relacional, que se manifesta quando parte do eleitorado percebe o “outro lado” como radicalizado. Os resultados mostram que radicalização e burnout cívico compartilham causas estruturais e revelam impactos subjetivos centrais da polarização sobre a democracia brasileira.
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