A PRIMEIRA FASE PANDÉMICA DA SARS-COV-2 NO BRASIL; APONTAMENTOS PARA UMA ANÁLISE INTEGRADA DE DESIGUALDADES TERRITORIAIS ASSOCIADAS AOS PADRÕES E RITMOS DE PROPAGAÇÃO DA DOENÇA E SEUS IMPACTES NA POPULAÇÃO BRASILEIRA
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.916Keywords:
SARS-CoV-2 (Covid-19), Desigualdades Territoriais, Clima, População BrasileiraResumen
O estudo que se apresenta, procura identificar eventuais correlações entre o padrão de distribuição espacial da SARS-CoV-2 (COVID-19), no Brasil, ensaiando uma correlação entre factores como o clima, as diferentes populações (Indígena, Quilombola e Parda) e a existência de Aglomerados Subnormais, com o propósito de identificar contextos de desigualdade e injustiça social. Partindo da premissa de que o clima interfere com os veículos transmissores de doenças infecto-contagiosas (como demonstrou o estudo de John Snow, em 1854), foram analisados dados relativos à disseminação da COVID-19 no Brasil, a partir de diversos repositórios de dados oficiais, disponibilizados por instituições brasileiras como o IBGE, o Ministério da Saúde do Brasil e a Fundação Oswaldo Cruz, e a partir de dados disponibilizados por outras fontes de que é exemplo maior a plataforma desenvolvida pela sinergia criada pela Johns Hopkins University e a ESRI (a maior empresa produtora de Sistemas de Informação Geográfica-SIG). Os dados foram geoprocessados em SIG e permitiram desenvolver cartografia temática sobre a qual foram efectuadas novas análises geoespaciais e geoestatísticas para a compreensão de padrões. Entre as conclusões principais, destaca-se a necessidade de manter alguma prudência e cuidado com a publicação de trabalhos e com as conclusões apresentadas, dado o elevado grau de incerteza sobre (quase) tudo que envolve a disseminação da doença e, ainda, sobre o que a originou. Existem já muitos estudos publicados mas, em função das perspectivas de abordagem, não é incomum encontrarmos estudos que se alicerçam sobre conclusões contraditórias, dependendo dos enfoques, das sensibilidades científicas, das metodologias utilizadas ou, simplesmente, da qualidade dos dados processados. Destaca-se, também, o facto de que sendo impossível monitorizar os movimentos e a mobilidade dos indivíduos, nem a tempo parcial nem a tempo integral, as correlações efectuadas podem não ser compagináveis com um acompanhamento e controlo adequados da evolução da crise pandémica que se instalou, a nível mundial, porque promover o cruzamento de dados sobre o “espaço dos fixos” ou objectos lidos como tal (os indivíduos) não permite chegar necessariamente aos mesmos resultados quando se estuda e analisa os fluxos; ou seja, do tempo curto ao tempo longo, da curta distância à longa distância, existem variáveis e factores invisíveis ou de difícil parametrização que entopem ou atrofiam a produção de conclusões científicas absolutamente incontroversas. Uma outra conclusão que merece nota de destaque centra-se na ideia de que, se o clima não parece ser uma variável determinante e inequívoca, em termos de classificação do grau de vulnerabilidade e de risco associado às populações, aos seus comportamentos mas, também, à sua composição etária (e de género) e estrutura racial, parece existir uma linha de pensamento consistente que aponta para a existência de contextos territoriais e sociais mais vulneráveis e susceptíveis ao risco. São os casos das populações “preta”, “parda” e “indígena” e, também, dos indivíduos que habitam os designados Aglomerados Subnormais.
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