O negro como ser em devir: experiência vivida e crítica da neutralidade sociológica em Frantz Fanon e Guerreiro Ramos
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17824Keywords:
Frantz Fanon, Guerreiro Ramos, niger sum, negritude, dialéticaResumen
Frantz Fanon e Guerreiro Ramos, partindo da experiência vivida, deslocam a objetificação do negro pelo olhar branco para a primazia do ser em devir, convertendo a posição do sujeito racializado em método de crítica à neutralidade das ciências sociais. Para isso mobilizam dois instrumentos: a dialética e a negritude. Daí a pergunta central: que dialética e que negritude sustentam essa crítica? A pesquisa é qualitativa, teórico-conceitual e bibliográfica, organizada como análise comparada de dois textos-fonte, “L'expérience vécue du Noir” (Fanon, 1951) e “O problema do negro na sociologia brasileira” (Ramos, 1954a), por meio de uma leitura imanente e hermenêutica, reconstroem-se seus operadores centrais. Alguns comentadores leem a negritude em chave hegeliana, como configuração da consciência destinada a ser suprassumida. Em Sartre, isso ocorre quando a negritude é definida como “tempo fraco de uma progressão dialética” e dissolvida na ideia de proletariado. Nos intérpretes de Ramos, quando o niger sum (sou negro) é tomado como etapa rumo à “sociedade mestiça”. Contra esse fechamento, defendemos outra leitura. Tanto a ambiguidade dialética que Ramos colhe em Gurvitch — para quem só a experiência decide o processo de dialetização — quanto a imprevisibilidade que Fanon opõe a Sartre apontam para uma dialética e uma negritude abertas: nelas, a diferença não é eliminada numa síntese final, mas preservada, sem que se possa determiná-la de antemão. Em ambos, o alvo não é a dialética: é o apriorismo que a fecha.
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