O que estamos fazendo quando educamos? Um diálogo sobre a atividade educativa com Hannah Arendt
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.6623Palavras-chave:
Educação, Hannah Arendt, Atividades elementares, Experiência docente, LiteraturaResumo
Este artigo estabelece um diálogo entre o ensaio “A crise na educação” da filósofa Hannah Arendt e seu livro A condição humana. Neste, a pensadora apresenta uma fenomenologia das atividades humanas elementares – o trabalho, a obra e a ação – ou, como ela afirma, da vita activa. O ensaio, por sua vez, qualifica a educação como uma atividade elementar da sociedade humana. A partir dessa interface entre os dois textos coetâneos reflito sobre a questão: o que fazemos quando educamos? – parafraseando, assim, a pergunta central de A condição humana: “o que fazemos quando estamos ativos?”. O intuito não é encontrar uma correspondência exata entre a educação e uma das três atividades da vita activa, mas pensar sobre alguns aspectos que aproximam ou distinguem a atividade educativa delas. Em especial busco aproximações entre o pensamento de Arendt sobre educação e suas abordagens do trabalho e da obra que tem atraído menos o interesse dos estudiosos da educação. O diálogo ocorre a várias vozes, pois para ele trago também narrativas sobre experiências docentes, literárias e outras, buscando lê-las à luz do pensamento arendtiano, o qual, por sua vez, é questionado a partir das experiências escolares. Enfim, trata-se de um exercício de pensamento polifônico, sem pretensões de exaurir o tema abordado, que dá relevo a alguns trechos de A condição humana ainda pouco explorados para se pensar sobre a atividade educativa.
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