PROBLEMATIZAÇÃO E GESTO CRÍTICO EM MICHEL FOUCAULT
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.6015Palavras-chave:
Michel Foucault, Problematização, Pensamento CríticoResumo
Pretende-se, ao longo desse ensaio, rascunhar alguns pequenos apontamentos sobre a concepção de crítica em Michel Foucault, atrelando-a ao – ou tornando-a indistinta do – exercício daquilo que o pensador francês denominou em alguns textos tardios de problematização. Prolongando um movimento analítico iniciado há muito, defende-se que o exercício crítico foucaultiano, compreendido como um trabalho permanente e infinito, seria algo indistinto de um movimento de problematização incessante do tempo presente, um movimento capaz de gerar um constante estado de alerta para os modos como nos constituímos enquanto sujeitos no interior da tensão instaurada entre práticas de sujeição e práticas de liberdades. Tal movimento, por seu turno, inspirou certo tom esquivo de seu pensamento, preocupado em jamais adotar uma postura normativa diante de questões de seu próprio tempo. Tais análises almejam fornecer subsídio para pesquisadores da área educacional interessados em se valer do aparato conceitual foucaultiano, mas preocupados em não transmutar as ferramentas metodológicas elaboradas por Foucault em amarras de pensamento. Para tanto, defende-se o recurso às noções plásticas de problematização e à certa concepção foucaultiana de crítica, a fim de pensarmos o diálogo intensivo travado por Foucault com o tempo presente que, de um modo ou outro, não pode ser desconsiderado por aqueles/as que lidam com seu pensamento.
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