ENTRE O DIGITAL E AS DIGITAIS: POR UM ENSINO RESPONSÁVEL
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.5791Palavras-chave:
Ensino, responsabilidade, ChatGPTResumo
Este artigo propõe uma discussão acerca daquilo que diz respeito ao exercício docente e que o distingue da simples transmissão de conteúdos. Nesse sentido, partimos do prognóstico realizado pelo CEO da OpenAI — empresa por trás da criação do ChatGPT, uma ferramenta digital de geração de respostas fluidas, coesas e coerentes — segundo o qual essa tecnologia, em alguns anos, substituiria os professores em salas de aula. Buscamos aqui refutá-lo caracterizando a relação do educador com seu objeto de saber naquilo que ela pode ter de singular. Valendo-nos das noções de "amor", de Jan Masschelein e Maarten Simons, e de "caráter", conforme trabalhada por Jorge Larrosa, argumentamos no sentido de que a ação docente, ao menos uma que possa, de fato, reivindicar-se como tal, não se limita à apresentação de respostas; em realidade, ela tem a ver com uma forma de responder ao mundo — em outras palavras, há uma espécie de responsabilidade por um mundo. Ao final, para ilustrar o que desenvolvemos de maneira mais teórica na primeira parte do texto, recorremos a uma lembrança compartilhada em entrevista pelo escritor Mia Couto a propósito de um professor da escola primária: a partir dos gestos desse docente, tomados aqui como uma lição, como uma narrativa exemplar, esboçamos contornos do que pode ser o exercício docente responsável e, portanto, não substituível por um instrumento meramente fornecedor de respostas.
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