DOI do preprint publicado https://doi.org/10.1590/1980-6248-2023-0044br
Os efeitos de Maio de 68 na trajetória de Jacques Rancière: a dicotomia althusseriana entre ciência e ideologia colocada em xeque
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.4079Palavras-chave:
Rancière, Althusser, ciência, ideologia, políticaResumo
Após a eclosão de Maio de 68 e a criação da Universidade de Vincennes, Jacques Rancière reavaliou suas concepções teórico-políticas, assim como seu vínculo com o filósofo Louis Althusser e os intelectuais do Cercle d’Ulm. A dicotomia entre um tipo de conhecimento supostamente científico, a teoria marxiana, e a ideologia, tal como sustentavam os althusserianos, é colocada em xeque em favor de uma valorização dos movimentos políticos irruptivos dos anos 1960. No presente artigo, analisaremos esse momento da trajetória de Rancière em que o autor passa de seguidor a crítico de Althusser, ao reformular sua compreensão a respeito do significado das revoltas sociais e da sua concepção sobre o saber. Esse debate desdobrado em textos como Sur la théorie de l’idéologie: politique d’Althusser e La leçon d’Althusser não é algo circunstancial na obra de Rancière, antes aparece como uma questão que atravessa seu pensamento e contempla ainda seus escritos atuais: a recusa à divisão do saber e a suas hierarquias intelectuais e a desconfiança em relação à concepção de que a política, para eclodir de acordo com as expectativas de certa intelectualidade crítica, necessitaria da teoria como seu pré-requisito.
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