A autoridade médica em disputa: deslocamento epistêmico e mediação algorítmica em saúde
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.18649Palavras-chave:
Autoridade sanitária, Saúde coletiva, Mediação algorítmica, Relação médico-paciente, Representações da doençaResumo
A crescente disponibilidade de conhecimento biomédico não garante o reconhecimento da autoridade de quem possui competência profissional para interpretá-lo. Esse paradoxo coloca novos desafios para a saúde coletiva em sociedades atravessadas por plataformas digitais e inteligência artificial. Este ensaio propõe o conceito de deslocamento epistêmico em saúde para compreender a redistribuição do reconhecimento de autoridade do médico assistente para fontes extraclínicas. Por meio de uma articulação teórica entre sociologia das profissões, saúde coletiva latino-americana, teorias da comunicação e estudos sobre mediação algorítmica, desenvolve-se um modelo de cinco domínios: relação clínica, mediação algorítmica, contexto sociocultural, condições socioeconômicas e institucionais e personalidade como possível moderador. Propõe-se que as representações da doença, as mediações comunicacionais e as condições do cuidado intervêm na legitimidade atribuída a diferentes fontes de saúde. O deslocamento epistêmico não equivale necessariamente a desinformação, perda de confiança ou abandono terapêutico. Conclui-se que o desafio não consiste em restabelecer a obediência médica, mas em fortalecer as condições sociais e institucionais que permitem reconhecer, negociar e compartilhar a autoridade sanitária sem desconsiderar a autonomia das pessoas
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