Sarau, a maquinaria do outro: um estudo do coletivo Gente de Palavra Paulistano
DOI:
https://doi.org/10.1590/2596-304x202628e20261147Palavras-chave:
saraus, Gente de Palavra Paulistano, afetos, performanceResumo
O artigo analisa o Sarau Gente de Palavra Paulistano, compreendendo-o como uma manifestação atual da longa tradição de saraus, um espaço histórico de convergência entre literatura, performance e engajamento político. O estudo realiza uma revisão conceitual que conecta as soirées burguesas do século XIX e os aedos da Antiguidade grega aos saraus periféricos contemporâneos, demonstrando a persistência de um modelo de circulação literária fundado nas redes de afeto e na oralidade. A análise centra-se no funcionamento do coletivo como uma “maquinaria do outro”, conceito que evidencia a dinâmica dos encontros presenciais e permite compreender como o processo de escrita se constitui a partir de uma experiência de presença e interação. Para tanto, demonstra que a declamação e a performance transformam a palavra escrita em um ato relacional e afetivo, que fortalece vínculos comunitários e reafirma o papel social do poeta. A conclusão sublinha a importância do sarau como um dispositivo crucial para a vivência e a renovação da literatura como prática coletiva e politicamente situada na cena cultural brasileira contemporânea.
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