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O enredo como prática discursiva do julgamento carnavalesco: Semiótica, Imagem e Policromia no desfile da Beija-flor de 1989: Ratos e Urubus, larguem minha fantasia, de Joãosinho Trinta

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DOI:

https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.18123

Palavras-chave:

Discurso, Semiótica, Policromia, Enredo, Carnaval

Resumo

O presente artigo propõe uma reflexão sobre o quesito Enredo no julgamento dos desfiles das escolas de samba; tomando como objeto de análise o desfile apresentado pelo Grêmio Recreativo Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis no Carnaval de 1989, cujo enredo intitula-se Ratos e urubus, larguem minha fantasia. A reflexão teórica parte da compreensão de que o enredo carnavalesco não se realiza, exclusivamente, por meio da linguagem verbal, mas se constitui a partir da articulação de diferentes materialidades significantes, entre as quais se encontram as imagens, as alegorias, as fantasias, as cores, os corpos, os gestos, as espacialidades e os elementos cênicos. Para a análise, o artigo recorre aos pressupostos teóricos da Semiótica de Charles Sanders Peirce (2005), mormente à concepção de signo e as relações entre o objeto e o interpretante, em diálogo com o conceito de Policromia, desenvolvido por Tania Clemente de Souza (1998, 2000, 2001) para a análise discursiva do não-verbal. O artigo considera ainda o Manual do Julgador como dispositivo institucional que orienta e organiza o olhar daquele que avalia o desfile. Defende-se que o julgamento do quesito Enredo implica uma operação de leitura de uma narrativa que se materializa de modo plural e que, por isso, não pode ser reduzida à sua formulação verbal ou à identificação de correspondências previamente estabelecidas entre elementos visuais e significados. A análise do desfile de 1989 permite observar como a tensão entre o luxo e a pobreza, o lixo e a nobreza, a exclusão e a celebração são constituintes de uma complexa rede de significação na qual diferentes materialidades participam da produção de efeitos de sentido. Conclui-se que o diálogo entre a Semiótica de Peirce e a noção de Policromia possibilita a ampliação da compreensão do quesito Enredo e a problematização dos limites e as possibilidades do olhar avaliativo no julgamento carnavalesco.

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Enviado

20/09/2026

Postado

25/09/2026

Como Citar

O enredo como prática discursiva do julgamento carnavalesco: Semiótica, Imagem e Policromia no desfile da Beija-flor de 1989: Ratos e Urubus, larguem minha fantasia, de Joãosinho Trinta. (2026). Em SciELO Preprints. https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.18123

Série

Linguística, letras e artes

Plaudit

Declaração de dados

  • Os dados de pesquisa estão contidos no próprio manuscrito