Respirar sob a redoma: saúde mental e modos de existir na docência contemporânea
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.18046Palavras-chave:
cartografia, cuidado, docência, saúde mental, subjetividadeResumo
A saúde mental na docência é atravessada pelas condições de trabalho, pelas exigências de cuidado e pelos modos contemporâneos de viver e trabalhar. Este estudo teve como objetivo cartografar experiências de saúde mental vivenciadas por professoras da Educação Infantil, buscando compreender como o cotidiano docente atravessa seus modos de subjetivação e suas possibilidades de existir. Inspirada na imagem da redoma presente em A redoma de vidro, de Sylvia Plath, a pesquisa foi desenvolvida na perspectiva cartográfica e acompanhou dez professoras da rede pública municipal do sudoeste do Paraná ao longo de dois anos. As narrativas e os registros do diário de bordo evidenciaram movimentos nos quais a vida docente continua sob múltiplas exigências, o ar se torna rarefeito diante da sobrecarga e da sensação de insuficiência e, nos encontros, abrem-se frestas capazes de restituir circulação à vida. A cartografia tornou visível uma assimetria do cuidado: professoras cotidianamente convocadas a acolher, proteger e cuidar nem sempre encontram condições equivalentes para serem cuidadas. Os resultados evidenciam que a saúde mental docente se produz nas relações entre trabalho, cuidado, afetos e condições concretas de existência, deslocando interpretações centradas exclusivamente no indivíduo.
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