Revisitando os primórdios da antropologia brasileira: Nina Rodrigues e Manoel Querino à luz da filosofia africana
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17864Palavras-chave:
antropologia brasileira, filosofia africana, história das ciencias sociaisResumo
Este paper revisita os primórdios da antropologia brasileira a partir de uma questão central à história das ciências sociais: como diferentes posições de enunciação participaram da produção de conhecimento sobre a população negra e foram posteriormente inscritas na memória disciplinar. O objetivo é analisar comparativamente produções de Nina Rodrigues e Manoel Raimundo Querino, mobilizando como operadores analíticos categorias formuladas no âmbito da filosofia africana por Severino Ngoenha e José Paulino Castiano. Metodologicamente, trata-se de pesquisa qualitativa, bibliográfica e histórico-interpretativa. A crítica de Ngoenha ao estatuto epistemológico da etnologia é articulada aos referenciais de objetivação, subjetivação e intersubjetivação desenvolvidos por Castiano, sem equiparar os contextos africano e afro-brasileiro. Argumenta-se que Rodrigues e Querino, contemporâneos e envolvidos na produção de saberes sobre a presença negra no Brasil, expressam posições epistemológicas contrastantes: enquanto o primeiro contribuiu para objetivar o negro mediante categorias racializadas e hierarquizantes, o segundo constituiu importante movimento de auto-inscrição negra ao enfatizar agência, cultura e contribuição africana à formação brasileira. Conclui-se que a aproximação entre história das ciências sociais e filosofia africana permite não apenas reconsiderar os objetos e métodos da antropologia nascente, mas também interrogar os critérios pelos quais determinados agentes se tornam centrais ou periféricos nas narrativas disciplinares.
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