Onde estarei em dez anos?: temporalidades afro-diaspóricas e futuros imaginados entre estudantes africanos da UNILAB
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17788Palavras-chave:
temporalidades africanas, diáspora, mobilidade estudiantil sul-sul, unilab, futuros imaginadosResumo
“Onde estarei em dez anos)” foi a pergunta que encerrou 25 entrevistas em profundidade realizadas, entre outubro e novembro de 2024, com estudantes africanos da Universidade da Integração Internacional da Lusofonía Afro-Brasileira (UNILAB), em Redenção, Ceará (Brasil). O artigo analisa como esses estudantes, procedentes de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau. Moçambique e São Tomé e Príncipe, elaboram futuros imaginados a partir da mobilidade estudantil Sul-Sul. Sustenta-se que o futuro não se apresenta como trajetória linear nem como decisão individual plenamente controlável, mas como campo de disputa entre o retorno, a permanência, a circulação transnacional, a formação acadêmica, os vínculos familiares e as condições políticas dos países de origem. Metodologicamente, articula observação participante e entrevistas em profundidade, cuja transcrição inicial, apoiada em inteligência artificial, foi revisada e contextualizada manualmente. A codificação temática identificou seis categorias analíticas não excludentes: retorno condicionado, permanência pragmática no Brasil, circulação transnacional, futuro acadêmico-profissional, futuro familiar e futuro aberto ou incerto. Os resultados mostram que o retorno raramente é imaginado como regresso imediato, associando-se à titulação, ao reconhecimento e à contribuição social; que a circulação internacional não implica necessariamente ruptura com o país de origem; e que a formação universitária amplia capacidades de aspiração sem garantir emprego, estabilidade ou reconhecimento. A UNILAB, instalada no município historicamente associado à abolição da escravidão, constitui espaço ambivalente que amplia possibilidades de futuro afro-diaspórico, sem assegurar sua realização. O artigo contribui para o debate sobre temporalidades africanas ao evidenciar regimes temporais plurais, situados e relacionais, produzidos fora do continente, mas inseparáveis dele.
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