Cultivadoras de memória: gênero, trabalho e transmissão no campesinato em Nord-Pas-de-Calais
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17761Palavras-chave:
trabalho rural, memória, feminismo materialistaResumo
Este artigo investiga como mulheres camponesas de Nord-Pas-de-Calais reconfiguram suas relações com a memória, a terra e a família em um espaço estruturado pela divisão sexual do trabalho, em um meio onde sociologia do trabalho e sociologia da familia se entremelam.. Assim, foi a partir de uma articulação entre o feminismo materialista e epistemologias situadas que se propõe o conceito de cultivadoras de memória : ou seja, este papel dual do exercicio laboral dessas mulheres, que articulam a reapropriação dos valores da campesinidade e o trabalho invisivel que performam, sem remuneração ou devido reconhecimento. A metodologia baseia-se em pesquisa de campo e entrevistas semiestruturadas realizadas junto às mulheres camponesas. Os resultados mostram que, embora frequentemente excluídas da transmissão formal do patrimônio fundiário, essas mulheres constroem outras formas de herança, de caráter simbólico e coletivo, assegurando a continuidade das práticas agrícolas e das identidades rurais. O artigo estabelece ainda um breve comparativo com o contexto brasileiro, evidenciando como diferentes tradições epistemológicas latinoamericanas e europeias iluminam, de formas distintas, as dinâmicas de gênero, poder e violência simbólica no meio camponês. Conclui-se que a memória camponesa é patrimônio vivo, transmitido no cotidiano da terra e reinventado em práticas agroecológicas, em que mulheres associam reconhecimento e resistência.
Downloads
Enviado
Postado
Como Citar
Série
Copyright (c) 2026 Luana Bruzzi Malta Silva

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Plaudit
Declaração de dados
-
Os dados de pesquisa estão contidos no próprio manuscrito


