Entre a métrica e o sentido: a autoavaliação como dispositivo de gestão da internacionalização na pós-graduação
DOI:
https://doi.org/10.1590/1982-57652026v31id304678Palavras-chave:
autoavaliação institucional, internacionalização da pós-graduação, gestão acadêmicaResumo
Este artigo analisa criticamente as tensões entre as exigências regulatórias da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e a construção de políticas institucionais autônomas de internacionalização nos Programas de Pós-Graduação (PPGs) brasileiros. Problematiza-se a redução da internacionalização a indicadores quantitativos, frequentemente dissociados da formação acadêmica substantiva e da identidade institucional dos programas. A partir de uma abordagem teórico-crítica, fundamentada em contribuições de José Dias Sobrinho, Almerindo Janela Afonso, Boaventura de Sousa Santos e na literatura internacional recente sobre internacionalização para o bem comum global, propõe-se a ressignificação da autoavaliação institucional como dispositivo político-pedagógico e gerencial capaz de distinguir a "internacionalização passiva", caracterizada pela mera adequação reativa aos critérios externos, da "internacionalização ativa", orientada pela construção de projetos institucionais com densidade epistemológica e pertinência social. A metodologia contempla um estudo de caso teórico-simulado de um PPG de excelência, detalhando os processos de autoavaliação participativa e contrastando seu Planejamento Estratégico com a Ficha de Avaliação da CAPES. Os resultados indicam que a autoavaliação participativa constitui ferramenta indispensável para a superação do isomorfismo institucional, para a tomada de decisão orçamentária estratégica e para a construção de processos formativos que transcendam a lógica do produtivismo acadêmico.
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