Onde se concentram as desigualdades: retenção, tratamento e supressão viral entre povos indígenas vivendo com HIV no Brasil, 2018–2021
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.17170Palavras-chave:
HIV, Povos Indígenas, Acessibilidade aos Serviços de Saúde, Carga Viral, Disparidades em Assistência à SaúdeResumo
A resposta brasileira ao HIV avançou em direção às metas 95-95-95, mas os ganhos não se distribuem igualmente entre grupos populacionais. Este estudo examinou em que etapas do cuidado contínuo do HIV se concentram as desigualdades entre povos indígenas e outros grupos de raça/cor no Brasil, de 2018 a 2021. Foi realizado estudo ecológico de séries temporais com dados secundários e agregados, complementado por análise documental interpretativa de políticas públicas e literatura selecionada. Os indicadores foram extraídos dos Relatórios de Monitoramento Clínico do HIV do Ministério da Saúde e têm como denominador pessoas vivendo com HIV (PVHIV) já vinculadas aos serviços. Entre 2018 e 2021, a diferença entre indígenas e a população branca/amarela permaneceu em 6 pontos percentuais na retenção nos serviços e aumentou de 1 para 7 pontos percentuais na cobertura de terapia antirretroviral. Na supressão viral, as diferenças foram de 5 pontos percentuais em 2018 e 14 em 2021; esses valores utilizam pontos de corte distintos de carga viral e não constituem comparação longitudinal direta. Em 2021, a apresentação tardia, definida pelo primeiro CD4 inferior a 200 células/mm³, foi de 18% entre indígenas, 26% entre brancas/amarelas e 28% entre negras, e o tempo mediano entre o primeiro CD4 registrado e o início do tratamento foi semelhante entre os grupos. Entretanto, 61% das pessoas indígenas iniciaram terapia antirretroviral em menos de um mês, contra 72% e 69% nos demais grupos, e 14% iniciaram após seis meses ou permaneceram sem início registrado. Entre as PVHIV já vinculadas, os indicadores disponíveis não sugerem desvantagem indígena na apresentação tardia ou no tempo mediano até o início da terapia, enquanto as maiores desigualdades se concentram na iniciação oportuna do tratamento e, sobretudo, na supressão viral. Os resultados apontam para a continuidade do cuidado como dimensão programática prioritária, sem permitir conclusões sobre pessoas não diagnosticadas ou ainda não vinculadas aos serviços.
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