Aborto social: esboço de uma categoria para a crítica dos processos de interrupção da formação humana
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.16857Palavras-chave:
Aborto social, formação humana, exclusão educacional , permanência estudantil, amazôniaResumo
RESUMO
Este artigo apresenta o conceito de aborto social como uma categoria analítica original para a compreensão dos processos de interrupção da formação humana em contextos educacionais e territoriais. Distinguindo-se da necropolítica (Mbembe), do biopoder (Foucault), da exclusão social e da violência simbólica (Bourdieu), o aborto social designa os mecanismos históricos, institucionais, políticos e territoriais que bloqueiam a constituição plena do sujeito antes que este possa se realizar social, educacional e existencialmente. O sujeito abortado socialmente permanece biologicamente vivo, mas tem suas possibilidades formativas, seu pertencimento, sua autonomia e seu projeto de vida interrompidos antes de amadurecerem. A partir de uma perspectiva crítica e situada na Amazônia acreana, o artigo propõe os fundamentos teóricos do conceito, dialoga com pensadores como Platão, Marx, Foucault, Bourdieu, Durkheim e Mbembe, e aponta horizontes para sua aplicação no campo da educação, das políticas educacionais e dos estudos sobre juventudes e permanência estudantil.
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