Um museu de grandes novidades? Acomodação e contenção na curricularização da extensão na Unicamp
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.16838Palavras-chave:
Extensão Universitária, Ensino superior, Currículo, Análise de políticaResumo
O presente artigo analisa o processo de implementação da Resolução CNE/CES 07/2018, relativa à curricularização da extensão no ensino superior brasileiro, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Com base no referencial teórico do Ciclo de Políticas, examina-se como a recontextualização desta política em uma universidade de pesquisa de vocação histórica vinculatório-empresarial engendrou processos de acomodação e contenção. A pesquisa mobilizou análise documental — estatutos, relatórios de gestão, deliberações internas e Projetos Pedagógicos de Curso — e entrevistas com quatro segmentos da comunidade acadêmica (administração central, docentes, técnicos e discentes), além de representantes do Forproex e do CNE. Os resultados indicam que a promulgação da Deliberação CEPE-A-22/2021 representou um avanço conservador: normatizou práticas extensionistas preexistentes — marcadas pelo assistencialismo em saúde e pela lógica vinculatório-empresarial — ao mesmo tempo em que abriu fissuras institucionais que podem ser exploradas pelos atores comprometidos com a extensão dialógica. O artigo conclui que o potencial transformador da curricularização depende, em grande medida, da capacidade de uma coalizão de defesa — docentes extensionistas e movimento estudantil organizado — de apropriar-se do empuxo político aberto pela normativa nacional para reequilibrar o campo extensionista naquela instituição.
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