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Erosão pela Demanda: Bolsonarismo e o Colapso da Cobertura Vacinal Infantil no Brasil

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  • Vitor Peixoto State University of Norte Fluminense image/svg+xml https://orcid.org/0000-0001-6618-3311
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  • Davi Leite Universidade do Estado do Rio de Janeiro image/svg+xml https://orcid.org/0000-0002-4508-5306
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DOI:

https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.16738

Palavras-chave:

Bolsonarismo, Cobertura Vacinal, PNI, Oferta e demanda, Diferenças-em-diferenças, Brasil

Resumo

A cobertura vacinal infantil brasileira entrou em colapso na virada da década de 2010, em paralelo à ascensão do bolsonarismo. Este artigo parte de um fato cronológico — a queda atravessa três fases politicamente distintas: o pré-governo (até 2018), o governo Bolsonaro sem pandemia (2019) e o governo com pandemia (2020–2022) — para perguntar, em cada uma, por qual canal o bolsonarismo opera: pela demanda (a disposição das famílias a levar a criança ao posto) ou pela oferta (a capacidade instalada da atenção primária que aplica a vacina). Formulam-se três hipóteses, uma por fase: (a) no pré-governo, o bolsonarismo — uma disposição anti-institucional anterior a Bolsonaro — erodiu a vacinação pela demanda, sem afetar a oferta; (b) em 2019, o primeiro ano de governo teria desorganizado o SUS e atingido a vacina pela oferta (atenção básica, ESF); (c) na pandemia, o sinal do líder atingiu demanda e oferta simultaneamente. Combinando o painel municipal de coberturas (SI-PNI/DATASUS, 2012–2022) ao voto em Bolsonaro de 2018 (TSE), a covariáveis socioeconômicas e a seis indicadores independentes de oferta da atenção primária (e-Gestor, CNES, IEPS, FINBRA), estimam-se modelos de diferenças-em-diferenças com a Hepatite B ao nascer como controle negativo de demanda. Os resultados confirmam (a), refutam (b) na sua forma forte e qualificam (c) — "forma forte" porque, embora o financiamento federal de fato se contraia diferencialmente in 2019, a camada que entrega a vacina não recua e a queda não é mediada pela oferta. A hipótese de demanda do pré-governo sustenta-se: o gradiente abre-se já em 2018, concentra-se nas vacinas de retorno e poupa a dose de nascimento. A hipótese de desmantelamento de 2019 não se sustenta nas dimensões mensuradas: a cobertura da ESF e da atenção básica, a enfermagem da APS e o gasto em saúde não caem — em vários casos crescem — onde o bolsonarismo é mais forte, e a queda vacinal de 2019 sobrevive ao controle direto pela oferta, não sendo mediada por ela; a única exceção honesta são os agentes comunitários de saúde e as UBS por habitante, que recuam, mas sem o *timing* de 2019 e sem mediar a vacina. Na pandemia, enfim, o salto incide sobretudo sobre a dose de nascimento — assinatura de oferta e registro, não de hesitação. Reportam-se os três achados, inclusive a hipótese refutada: não confirmar também é resultado.

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Biografia do Autor

Vitor Peixoto, State University of Norte Fluminense

Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), mestrado e doutorado em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ). Atualmente é professor associado da UENF onde é membro permanente do Programa de Pós Graduação em Sociologia Política e tesoureiro da Associação Latina Americana de Ciência Política (ALACIP). Autor do livro ''Eleições e Financiamento de Campanhas no Brasil'' (2016)

Davi Leite, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Mestrando em Ciência Política pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ). Possui bacharelado em Administração Pública pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), tendo sido Bolsista Nota 10 pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Foi pesquisador de iniciação científica no Laboratório de Estudo da Sociedade Civil e do Estado (LESCE). Possui experiência em estudos com análise de dados de survey e interesse em metodologia quantitativa aplicada à Ciência Política

Enviado

30/06/2026

Postado

14/09/2026

Como Citar

Erosão pela Demanda: Bolsonarismo e o Colapso da Cobertura Vacinal Infantil no Brasil. (2026). Em SciELO Preprints. https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.16738

Série

Ciências Humanas

Plaudit

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