Plataformas digitais e organização do trabalho: inadequação do taylorismo digital e insurgência do novo trabalho domiciliar
DOI:
https://doi.org/10.1590/1679-395120240194Palavras-chave:
plataformas digitais, taylorismo digital, processo de trabalho, trabalho domiciliarResumo
O presente trabalho tem como objetivo analisar criticamente o chamado taylorismo digital. Considerando que o conceito foi desenvolvido para descrever a organização do trabalho típica da mediação das plataformas digitais, analisa-se a sua inadequação para explicar a função das plataformas na organização do trabalho. A partir da abordagem inflexionista do processo de trabalho, mostrou-se como o trabalho organizado pelas plataformas se desenvolve em uma base técnica apoiada no princípio subjetivo, dependente do capital variável, o que coincide com o taylorismo. Contudo, a organização do trabalho realizada pelas plataformas digitais ocorre por meio de uma nova espécie de trabalho domiciliar, método que já existia anteriormente ao taylorismo, uma vez que coordena trabalhadores dispersos possuidores dos meios de trabalho. A inadequação do taylorismo para explicar o processo de trabalho nas plataformas se dá porque, com elas, aspectos essenciais do taylorismo, como o aprimoramento de movimentos, a seleção dos trabalhadores mais aptos e seu agrupamento em um mesmo local, não se manifestam e são desnecessários. Assim, o método de organização do trabalho sobre o qual se baseia a mediação das plataformas digitais tem raízes mais arcaicas que o taylorismo. Todavia, é o mais adequado para a extração do mais-valor, dadas as restrições da base técnica dos setores em que atuam as plataformas digitais.
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