Recidiva de leishmaniose visceral: o que sabemos e o que devemos aprender com os episódios brasileiros notificados entre 2014 e 2020?
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.16059Palavras-chave:
recidiva, leishmaniose visceral, HIVResumo
Há lacunas no conhecimento sobre as possíveis diferenças nas características clínicas e sociodemográficas entre eventos de recidiva de leishmaniose visceral (LV) e eventos de casos novos de LV de novo. Analisamos o perfil clínico e epidemiológico de eventos "casos novos" e de "recidivas" em pacientes com LV no Brasil durante o período de 2014 a 2020, utilizando bancos de dados vinculados de casos de LV e HIV/AIDS do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), do Sistema de Controle Logístico de Medicamentos (SICLOM) e do Sistema de Controle de Exames Laboratoriais (SISCEL) para HIV/AIDS. Os eventos "casos novos" de LV foi definido como LV notificada em pacientes sem registro prévio de LV nos últimos 12 meses. O evento "recidiva" de LV foi definido como pacientes com registro prévio de LV nos últimos 12 meses após a cura. Entre 2014 e 2024, foram notificados 23.025 casos de LV, sendo 93,75% registrados como casos novos e 6,25% como recidivas. Ao comparar os "casos novos" com as "recidivas", observamos que, respectivamente: 66% e 70% dos pacientes eram do sexo masculino (p = 0,003); 43% e 34% tinham menos de 15 anos de idade (p < 0,001); e 41% e 43% tinham escolaridade até o ensino médio (p < 0,001). Sintomas como febre, fraqueza, perda de peso, palidez e icterícia foram mais frequentes nos casos novos do que nas recidivas (p < 0,05). As recidivas foram proporcionalmente mais frequentes em pacientes coinfectados com LV/HIV (41%) em comparação aos casos de novo (11%) (p < 0,001). Entre os pacientes coinfectados com HIV, a contagem de linfócitos T CD4+/CD8+ e a mediana da carga viral do HIV foram significativamente menores nos eventos de recidiva. Para melhor compreender essas diferenças entre casos de novo e recidivas, são essenciais estudos prospectivos aprofundados para identificar fatores associados à recidiva em pacientes com LV.
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