Retorno ao animal: o dispositivo e os interditos em Kentukis, de Samanta Schweblin
DOI:
https://doi.org/10.1590/1517-106X/2026e72893Palavras-chave:
animalidade, arte parietal, Lascaux, espaço doméstico, voyeurismoResumo
O dispositivo, termo primeiro trabalhado por Foucault e depois por Agamben, está na essência do processo de separação entre o humano e o animal. Em Kentukis, Samanta Schweblin parece contestar tal distinção, ao apresentar o dispositivo que dá nome ao seu romance: um pequeno emulador de animal, orientado por câmeras e convidado a transitar pela residência de quem o comprou, enquanto é controlado por um desconhecido qualquer, que embarca numa inversão ontológica e testa os limites das relações sociais e espaciais. Neste artigo, é proposto um recorte preciso, tendo na transgressão animal, exercida por parte do sujeito que controla o aparelho, o foco da investigação. A animalidade, retomada através do dispositivo, é compreendida como via de contornar os interditos que recaem sobre a humanidade, remontando o dilema apresentado por Bataille e existente desde o nascimento da arte.
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