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Ética em pesquisa nas humanidades: tensões, avanços e desafios institucionais

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  • Marcos Marques de Oliveira Universidade Federal Fluminense image/svg+xml https://orcid.org/0000-0002-7451-558X
    • Conceptualization
    • Formal Analysis
    • Investigation
    • Visualization
    • Writing – Original Draft Preparation
    • Writing – Review & Editing

DOI:

https://doi.org/10.1590/1678-98732433e023

Palavras-chave:

ética em pesquisa, Ciências Humanas e Sociais, Sistema CEP-Conep, regulação biomédica, método sócio-histórico

Resumo

Introdução: O artigo examina os efeitos da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) sobre investigações em Ciências Humanas e Sociais (CHS), destacando a tensão entre um sistema de avaliação estruturado, de um lado, sob a hegemonia da matriz biomédica e, de outro, as epistemologias próprias das humanidades. O problema central é a insuficiente adequação das normativas vigentes às práticas metodológicas das CHS, com impactos sobre consentimento, uso de dados e escrita científica. Materiais e métodos: A análise utiliza abordagem sócio-histórica baseada em documentação normativa (resoluções, ofícios, legislações correlatas) e literatura especializada. O método permite reconstruir a trajetória institucional do Sistema CEP-Conep e avaliar suas repercussões sobre a prática investigativa nas CHS. Resultados: O estudo identifica: (1) a expansão do Sistema CEP-Conep, originado no campo biomédico, para regular pesquisas nas CHS; (2) a mobilização de entidades da área, reunidas em um fórum de Ciências Humanas, em defesa de um modelo avaliativo próprio; (3) a Resolução 510/2016 como avanço parcial, ao reconhecer metodologias qualitativas e flexibilizar procedimentos de consentimento; (4) dificuldades persistentes, como a hegemonia biomédica na composição dos comitês e problemas de operacionalização; e (5) a delimitação, pela Resolução 674/2022, de modalidades de pesquisa isentas de submissão, incluindo consultas de opinião, uso de dados públicos e revisões bibliográficas. Discussão: Apesar de ajustes recentes, o modelo segue pouco compatível com a diversidade epistemológica das CHS. O artigo argumenta que a formação ética deve ir além da conformidade procedimental, enfatizando integridade, autoria responsável e uso criterioso de tecnologias, como inteligência artificial. Conclui que a construção de um ecossistema de ética em pesquisa exige articulação entre pesquisadores, instituições e políticas científicas, superando limites herdados da tradição biomédica.

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Biografia do Autor

Marcos Marques de Oliveira, Universidade Federal Fluminense

Marcos Marques de Oliveira (marcos_marques@id.uff.br) é Professor Associado de Sociologia da UFF, lotado no Instituto de Educação de Angra dos Reis (IEAR). Doutor em Educação Brasileira (UFF), com estágio pós-doutoral em Sociologia Política (UENF/Darcy Ribeiro).

Postado

12/12/2025

Como Citar

Ética em pesquisa nas humanidades: tensões, avanços e desafios institucionais. (2025). Em SciELO Preprints. https://doi.org/10.1590/1678-98732433e023

Série

Ciências Humanas

Plaudit

Declaração de dados

  • Os dados de pesquisa estão contidos no próprio manuscrito