DOI do preprint publicado https://doi.org/10.1590/1678-98732433e011
A desigualdade econômica impulsiona a polarização política? Uma revisão de escopo de teorias concorrentes
DOI:
https://doi.org/10.1590/1678-98732433e011Palavras-chave:
desigualdade de renda, polarização política, partidos radicais, comportamento eleitoral, revisão de escopoResumo
Introdução: A desigualdade econômica e a polarização política emergiram como fenômenos centrais nas democracias contemporâneas. Este artigo revisa a literatura que investiga uma teoria influente sobre essa relação: a de que o aumento da desigualdade econômica impulsiona a polarização política. Busca-se avaliar a robustez e as limitações desse postulado teórico a partir da análise de estudos publicados entre 2006 e 2023. Materiais e métodos: Realizou-se uma revisão de escopo de artigos empíricos publicados em periódicos indexados, excluindo working papers e ensaios teóricos. As buscas foram conduzidas em Google Acadêmico e Crossref, via Publish or Perish, utilizando os termos "inequality", "polarization", "political polarization" e "affective polarization", em inglês, português e espanhol. Foram selecionados 28 estudos que investigam empiricamente a relação entre desigualdade e polarização. Todos adotam métodos quantitativos, predominantemente time-series cross-sectional (TSCS). Resultados: A literatura se organiza em três linhas explicativas principais. A teoria do eleitor mediano partidária (MRP) postula que desigualdade aumenta demanda por redistribuição, radicalizando partidos de esquerda e provocando reação da direita. A teoria da privação econômica (TPE) argumenta que setores marginalizados, ressentidos pela perda relativa de renda, voltam-se à partidos radicais de direita. Uma terceira linha sugere uma relação negativa: desigualdade reduziria polarização ao inibir participação política ou fragmentar coalizões. Os achados favoráveis à associação positiva predominam (cerca de 60%), embora resultados inconclusivos ou negativos não sejam desconsideráveis. Independentemente da direção teórica, os estudos convergem ao identificar eleitores de baixa renda, marginalizados ou com menor qualificação como protagonistas da polarização. A divergência central reside em como esses grupos reagem: mobilizando-se para a esquerda (MRP) ou direita radical (TPE). Os estudos concentram-se fortemente nos Estados Unidos e em democracias afluentes (79%), com ausência quase total de pesquisas sobre democracias mais recentes ou países da América Latina. Discussão: A heterogeneidade na operacionalização de polarização e desigualdade dificulta conclusões mais robustas. Indicadores desagregados são mais precisos, porém apenas cinco estudos realizam testes de robustez. Indicadores agregados, como o Gini, limitam testes de teorias sobre grupos específicos. Teoricamente, há consenso sobre a centralidade dos grupos marginalizados na polarização. A teoria da privação econômica oferece explicação mais convincente para o avanço contemporâneo da direita radical. No entanto, persistem algumas lacunas críticas: (i) mecanismos que orientam marginalizados para diferentes polos permanecem inconclusivos; (ii) ausência de métodos qualitativos; e (iii) escassez de pesquisas sobre democracias latino-americanas, onde a relação entre essas variáveis pode operar de forma distinta, e de estudos sobre polarização afetiva.
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