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Religião, ideologia e antipetismo nas eleições presidenciais brasileiras de 2018

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  • Leonardo Neves Luz Universidade Federal de Juiz de Fora image/svg+xml https://orcid.org/0000-0002-3235-9662
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DOI:

https://doi.org/10.1590/1678-98732433e012

Palavras-chave:

clivagens religiosas, ideologia política, antipatia partidária, comportamento eleitoral, modelagem de equações estruturais

Resumo

Introdução: As eleições presidenciais de 2018 romperam a polarização PT versus PSDB e resultaram na ascensão de Jair Bolsonaro, um candidato apoiado em conservadorismo comportamental, nacionalismo religioso e antipetismo. Este estudo investiga como religião, ideologia e sentimentos partidários interagiram para determinar o voto em Bolsonaro no primeiro turno. A hipótese central é que a adesão religiosa se converteu em apoio eleitoral por meio da mediação exercida pela ideologia conservadora e pelo antipetismo. Materiais e métodos: Foram utilizados dados do Latin American Public Opinion Project (LAPOP) de 2019, com 1.498 entrevistas nacionais presenciais. Aplicou-se Modelo Generalizado de Equações Estruturais (GSEM) para estimar efeitos diretos, indiretos e totais. Quatro modelos recursivos foram testados: três específicos para católicos, protestantes e pentecostais, e um modelo completo. As variáveis dependentes foram voto em Bolsonaro, antipetismo (rejeição exclusiva ao PT) e autoposicionamento ideológico à direita, controladas por variáveis sociodemográficas e atitudinais. Resultados: O antipetismo e a ideologia conservadora emergiram como os preditores mais fortes do voto em Bolsonaro, elevando em 224% e 101% a probabilidade de apoio, respectivamente. Cerca de 60% do efeito da ideologia foi mediado pelo antipetismo. Entre pentecostais, identificou-se o padrão mais robusto: ser pentecostal aumentou em 122% a probabilidade de voto e em 79% a identificação à direita, com 21% do efeito mediado pela ideologia. Católicos apresentaram efeito significativo sobre antipetismo (44%), mas não sobre ideologia. Protestantes exibiram apenas efeito direto sobre o voto (76%), sem mediações relevantes. Discussão: Os achados confirmam o antipetismo como principal vetor da clivagem eleitoral em 2018, articulando-se à ideologia conservadora. Apenas entre pentecostais consolidou-se uma “direita religiosa” com impacto eleitoral mediado por valores ideológicos. O antipetismo católico associou-se a fatores socioeconômicos tradicionais, enquanto os protestantes mantiveram efeito direto, sem clivagem ideológica consistente. O estudo contribui ao decompor trajetórias causais diferenciadas entre denominações religiosas, demonstrando a heterogeneidade dos mecanismos que ligam religião, ideologia e comportamento eleitoral.

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Biografia do Autor

Leonardo Neves Luz, Universidade Federal de Juiz de Fora

Leonardo Neves Luz (leonardo.neves@ufjf.br) é Doutor em Economia pela UFJF e professor do Departamento de Economia da UFJF.

Postado

10/12/2025

Como Citar

Religião, ideologia e antipetismo nas eleições presidenciais brasileiras de 2018. (2025). Em SciELO Preprints. https://doi.org/10.1590/1678-98732433e012

Série

Ciências Humanas

Plaudit

Declaração de dados

  • Os dados de pesquisa estão contidos no próprio manuscrito