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Como o uso expressivo de ‘muito’ (Português Brasileiro) põe em xeque a sua análise unificada?

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DOI:

https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.13330

Palavras-chave:

"Muito” expressivo, Modificadores de grau, Verum foco, Semântica de graus, Pragmática

Resumo

“Muito”, um modificador de grau prototípico do Português Brasileiro (PB), modifica adjetivos, locuções verbais, substantivos (contáveis e massivos) e advérbios, desde que escalares. Em todos os domínios, “muito” é um amplificador de graus. Sua semântica é semelhante à proposta por Kennedy e McNally (2005) para o modificador de grau inglês “very” e pode, alternativamente, ser expressa como uma função diferencial. Não há seleção semântica por “muito” em escalas de qualidade (como as de adjetivos). No entanto, nas de quantidade, “muito” opera exclusivamente sobre escalas abertas. Dimensões aspectuais verbais são escalas de quantidade; os sintagmas nominais também as fornecem (volume, número). Para “muito” ser licenciado, a quantidade não pode ter um limite superior. Isto posto, uma análise unificada de “muito” é alcançada. (Gomes, 2018; 2025). Apenas um caso, observado por Sanchez-Mendes (2022), resiste a se encaixar: o expressivo “muito”, presnte em exemplos como “Foi muito golpe!”. Este artigo destrincha tais desafios à explicação unificada, discute a proposta de Sanchez-Mendes (2022) para o caso em questão e apresenta uma nova análise que concilia tais usos expressivos com uma semântica geral para “muito”. Propõe-se que o “muito” enfático promove uma comparação entre as alternativas de valor de verdade para a proposição e afirma que a afirmativa é muito mais apropriada, com base em estados epistêmicos/de crença, do que a negativa. Os efeitos pragmáticos são de confirmação enfática. Assim, no fim das contas, mantêm-se que “muito” sempre contribui com uma comparação implícita de superioridade, nunca com uma escala fechada.

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Biografia do Autor

Ana Paula Quadros Gomes, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Professora da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LEV/FL/UFRJ). Membro permanente do corpo docente da Pós-graduação em Linguística (UFRJ), da Pós-graduação em Letras Vernáculas (UFRJ) e do Mestrado Profissional em Linguística e Línguas Indígenas - PROFLLIND (Museu Nacional/UFRJ). Com pós-doutorado em Letras na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Com pós-doutorado no Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Universidade de São Paulo (USP), com bolsa Fapesp. Doutorado e mestrado em Linguística pela USP, como bolsista do CNPq e da Fapesp. Bolsa-sanduíche (Capes) na Universidade de Massachusetts. Graduada em Linguística (USP), com bolsa de Iniciação Científica do CNPq. Coordenadora do Projeto de Extensão Ações de Combate ao Preconceito Linguístico (UFRJ), que inclui a ação Me Kuni Umari: em rede pelos direitos linguísticos (a Voz Mebêngôkre) e do Lambda - Laboratório de Análises, Materiais, Bibliografias, Descrições e Aprendizagens em Semântica Gramatical (UFRJ). Pesquisa a semântica das línguas naturais, especialmente a das minorizadas e sub-representadas, e a do Português do Brasil. Interessada em defesa de direitos linguísticos, na investigação de universais semânticos, em práticas de divulgação científica e nas contribuições da ciência linguística para o chão da escola, como a preparação de material didático.

Postado

11/09/2025

Como Citar

Como o uso expressivo de ‘muito’ (Português Brasileiro) põe em xeque a sua análise unificada?. (2025). Em SciELO Preprints. https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.13330

Série

Linguística, letras e artes

Plaudit

Declaração de dados

  • Os dados de pesquisa estão contidos no próprio manuscrito